Nas artes marciais, a maestria não é alcançada por repetição mecânica nem pela desistência diante da dificuldade. Ela surge da integração disciplinada de técnicas, fundamentos sólidos e da busca contínua por evolução.
Esse mesmo princípio se aplica às operações industriais.
Como praticante de artes marciais e profissional de tecnologia, aprendi que a verdadeira excelência operacional não nasce de modelos estáticos ou fechados, mas da capacidade de evoluir continuamente. É exatamente isso que, na Radix, chamamos de Inteligência Híbrida.
Do modelo estático ao sistema vivo: a evolução dos gêmeos digitais
Seguindo a analogia das artes marciais, os gêmeos digitais tradicionais podem ser comparados ao kata. Assim como o kata representa sequências estruturadas de movimentos treinadas em um ambiente controlado, os gêmeos digitais são modelos digitais da operação que conectam dados de equipamentos e sistemas operacionais para compreender, simular e otimizar o desempenho com base em padrões conhecidos.
Esses modelos permitem representar instalações físicas, testar cenários, antecipar falhas e avaliar oportunidades de otimização a partir de modelos físicos, dados históricos e experiência operacional. No entanto, assim como nas artes marciais, a realidade fora do ambiente controlado raramente segue padrões previsíveis.
Na operação real, as condições mudam continuamente. Variabilidade, eventos inesperados e interações complexas exigem respostas rápidas e contextualizadas, um cenário muito mais próximo do kumite, o combate em tempo real, onde adaptação e leitura do ambiente são essenciais.
É nesse contexto que os gêmeos digitais evoluem. Ao integrar Inteligência Artificial avançada, incluindo modelos generativos e agentes autônomos, aos gêmeos digitais, criamos gêmeos operacionais, de processo e de sistema que não apenas simulam a realidade, mas interpretam, aprendem, preveem e agem.
A inteligência híbrida representa essa transição do “formato” para o “fluxo”: sistemas que combinam modelos físicos, dados em tempo real e IA para apoiar decisões com autonomia, contexto e precisão. É como sair do domínio dos movimentos para a leitura do ambiente, antecipando mudanças e respondendo com eficácia.
O papel das parcerias na inovação industrial
Poucas organizações atingem excelência isoladamente. Na indústria, o avanço acontece quando diferentes competências se encontram, se desafiam e evoluem juntas.
Aqui na Radix, parcerias estratégicas são um pilar central da nossa abordagem. A complexidade dos ambientes industriais exige múltiplas perspectivas, tecnologia, engenharia, operação e negócio, trabalhando de forma integrada.
Três elementos são essenciais para parcerias industriais bem-sucedidas:
Diversidade de expertise: A inovação acontece quando fornecedores de tecnologia, especialistas de domínio e clientes atuam de forma colaborativa, cada um contribuindo com seus conhecimentos específicos.
Open source como base de colaboração: O uso de frameworks abertos cria uma base comum para co-inovação, acelera o desenvolvimento de soluções e garante escalabilidade, robustez e adaptabilidade ao longo do tempo.
Confiança e aderência à realidade operacional: Modelos de IA precisam incorporar princípios físicos, restrições operacionais, critérios econômicos e requisitos de segurança. Somente assim decisões autônomas refletem a realidade do negócio.
Da arquitetura à escala: viabilizando a inteligência híbrida na operação
O papel da Radix é arquitetar plataformas e ecossistemas que permitam às organizações alcançar excelência operacional por meio da inteligência híbrida.
Nossa plataforma Leafcutter é um exemplo desse papel. Ela atua como uma camada de integração entre múltiplas fontes de dados, gêmeos digitais, agentes de IA e sistemas operacionais, viabilizando simulação, otimização e tomada de decisão em tempo real, de forma integrada e escalável.
Por meio de SDKs e frameworks para parceiros, a Radix cria um ambiente no qual especialistas de diferentes setores podem contribuir com modelos, algoritmos e conhecimento operacional, formando um ciclo contínuo de aprendizado e inovação compartilhada.
Progresso sustentável não nasce de imposições top-down ou soluções isoladas, mas da integração consistente entre engenharia, dados, tecnologia e pessoas.
Operações “faixa preta”: um imperativo estratégico
Nas artes marciais e na indústria, o mais alto nível de desempenho é marcado por aprendizado contínuo, resiliência sob pressão e capacidade de adaptação em tempo real.
A inteligência híbrida oferece às organizações a oportunidade de atingir esse nível, onde cada ativo, processo e decisão é orientado por um sistema integrado, inteligente e confiável.
Para líderes executivos, o recado é claro: a convergência entre gêmeos digitais a IA não pode permanecer como uma visão distante. Ela precisa ser incorporada à estratégia operacional para redefinir a competitividade.
As organizações que entenderem e adotarem esse modelo hoje estarão moldando o futuro da indústria.
Na Radix, estamos prontos para atuar ao lado de nossos clientes e parceiros, como arquitetos, integradores e comprometidos com a excelência operacional.
Sobre o autor
Com mais de 30 anos de experiência, Flávio Guimarães é um dos sócios fundadores da Radix. Atualmente, Flávio é Head Global de Práticas e Alianças Estratégicas, com expertise em fornecer soluções para corporações industriais, combinando Engenharia, Operações e Tecnologias Digitais. Ele possui um B.Sc. e M.Sc. em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, um MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e um Certificado Executivo em Gestão e Liderança pela MIT Sloan School of Management.