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Alunos do IFRJ apresentam estudos sobre Rio Doce em Congresso de Química

Projeto patrocinado pela Radix faz parte do 57º Congresso Brasileiro de Química.

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Intitulado "Estudo químico da lama decorrente do rompimento da barragem do Fundão em Mariana/MG”, o projeto desenvolvido por alunos do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) será apresentado pelos próprios estudantes no 57º Congresso Brasileiro de Química (CBQ). O evento comemora os 80 anos da Associação Brasileira de Química (ABQ/RS) e acontece entre os dias 23 e 27 de outubro, em Gramado, no Rio Grande do Sul.

Em novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), aconteceu o vazamento de 62 milhões de m³ de lama provenientes de rejeitos de minérios de ferro. Essa lama percorreu uma distância de aproximadamente 700km, atravessando o Rio Doce e passando por Espírito Santo até chegar ao Oceano Atlântico. Com intuito de ajudar na revitalização da região atingida, a Radix selecionou quatro projetos, que receberam o apoio financeiro e técnico da companhia. Um deles foi do IFRJ, no qual os professores Hiram Araújo e Otávio Versiane buscam realizar o projeto junto com seus alunos, associando teoria à prática, além de proporcionar uma oportunidade para que os estudantes se envolvam em um projeto social.

Para o estudo, principalmente da lama, os professores visitaram a região de Bento Rodrigues e coletaram amostras, que foram analisadas junto com os alunos nos laboratórios do IFRJ, campus Maracanã. Alguns desafios já foram apresentados aos estudantes logo nesse primeiro momento, como a percepção de um material disperso e heterogêneo, o que dificulta a análise. Para conseguir estudar os metais encontrados, foi preciso fazer a homogeneização da amostra, que parecia complexa.

- A área atingida pelo rompimento da barragem é muito extensa, é uma grande região composta por diversas áreas menores com características próprias, grau de contaminação diferenciado e sujeita a variações específicas. É difícil encontrar resultados concordantes com tantas variáveis atuando ao mesmo tempo -, explicou o professor Otavio Versiane.

Para o professor Hiram Araújo, a lama, trata-se de uma amostra complexa, ou seja, uma mistura do rejeito original da mineração, que estava contido na barragem, com água e solo da região.

- O local da coleta, nas margens do Rio Gualaxo do Norte (subafluente do Rio Doce), foi o mais representativo possível da barragem original que localizamos dentro de Bento Rodrigues. Podemos considerar que esse local é praticamente o marco-zero do acidente ambiental, pois a partir dele que a lama desceu o Rio Doce até a sua foz – completou Araújo.

Os resultados desta primeira análise, a importância da amostragem, da etapa de homogeneização, a abertura (lixiviação ácida), a separação da Sílica e a identificação da relação Fe-Si para análise de outros elementos serão alguns dos tópicos apresentados pelos alunos no Congresso.

Além da apresentação do trabalho, os alunos buscam, junto com os professores, uma nova ida a Bento Rodrigues para novas coletas. Desta vez, a viagem contará com a presença dos estudantes.

Os autores desse trabalho são: Rafael Romanizio (iniciação científica); Paulo V. Badolato (iniciação científica); Louhan Sodré (técnico.);  Anilton C. Costa Jr. (pesquisador); Hiram Araújo (pesquisador);  Otávio Versiane (pesquisador). O trabalho conta com seis autores, mas será apresentado e representado nesse Congresso pelos estudantes Rafael Romanizio; Paulo V. Badolato; e pelo professor Anilton C. Costa Jr.