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Radix e Enaval mitigam riscos no projeto de Mexilhão

Entrega do projeto de ampliação da plataforma de Mexilhão, localizada na Bacia de Santos, está prevista para abril de 2018.

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Um novo marco para a história do pré-sal já tem data agendada: abril de 2018. Contudo, a história da Rota 1, que irá permitir a integração da malha do pré-sal, começou em novembro de 2016, quando a Enaval venceu a licitação da Petrobras  e escolheu a Radix para participar do projeto de ampliação da capacidade da plataforma de Mexilhão. Com menos de um ano do início do projeto, Radix e Enaval otimizaram o projeto, considerando mitigação de riscos, antecipação de montagem de estruturas, redução do uso de material nobre.  

Atualmente, o Brasil produz por dia 106 milhões de m³ de gás natural. Mexilhão é responsável por cerca de 15 milhões de m³ por dia. Com a expansão, a capacidade aumenta para 20 milhões de m³, passando a atender a crescente demanda de consumo de gás tanto nas indústrias, como nas termoelétricas e mesmo nos consumidores residenciais.  “Estamos falando de um grande hub, uma plataforma que vai receber grande parte do gás do pré-sal e enviar para a terra”, comentou João Carlos Chachamovitz, diretor executivo da Radix.

Juntas, Radix e Enaval se diferenciaram ao buscar maior eficiência e menor custo em todo o projeto de engenharia de detalhamento que visou o Revamp da plataforma, em menos de um ano de projeto.  Na parte de construção, foi possível antecipar 200 toneladas que seriam feitas durante a parada programada.

- O projeto movimenta 800 toneladas. Com a modularização significativa dos elementos de tubulação, o que seria montado na plataforma, em alto mar, conseguimos antecipar e construir em terra, o que reduz custos e o tempo desta atividade durante a parada programada, permitindo a viabilização da montagem nos 35 dias de parada e a consequente redução nos riscos de atrasos. Também apostamos em modelagem 3D, minimizando riscos e tendo maior assertividade no momento da construção. Conseguimos prever todos os aparatos necessários e ganhamos em tempo, custo e segurança do trabalhador. Conseguimos antecipar a construção de 72% do Gasmex e 86% do BS 500 -, explicou Chachamovitz.

Para o gerente do contrato da Enaval Antônio Costanza, as tecnologias utilizadas pela Radix fizeram a diferença para o aumento do desempenho do projeto. Além disso, o gerente ressalta que a partir do trabalho de modelagem 3D da Radix, a Enaval segue para a etapa de construção e montagem. 

- Estamos utilizando ferramentas especiais com 3D, 4D, o que aumenta o desempenho e evita revisões. Na próxima semana, começa a fase a bordo na plataforma. Tivemos 25 % de avanço no processo da obra até agora, contando a parte de engenharia, suprimentos, planejamento. Agora, a fase muda o foco para construção e montagem, é onde o trabalho se materializa. Teremos por mês 620 funcionários da Enaval indo e voltando da plataforma, além da equipe de apoio que permanece no escritório da empresa. Para dar suporte ao time que ficará na plataforma, contamos com a UMS – Unidade de Manutenção e Segurança -, que é uma área de armazenagem de equipamentos e também local para os funcionários dormirem e comerem -, ressaltou Costanza. 

Ao mencionar os números, o diretor da Radix homenageia a equipe envolvida: “Tivemos uma excelência técnica no trabalho. Até o momento, foram 825 documentos produzidos, 303 foram para a Petrobras validar e apenas dois retornaram. Estamos falando em um percentual de mais de 99% de acerto. Hoje, o benchmark é 90% de aprovação. Com isso, nossa equipe não teve retrabalho e conseguiu ser ainda mais eficiente”.

Já o presidente da Enaval, Amauri Rodrigues, lembra-se da emoção de ganhar a licitação em um momento difícil da história do país.

- Entramos na concorrência com vontade de ganhar e performar o projeto, que surgiu em um meio a crise do petróleo e da economia do país. A Enaval tem um estaleiro à beira mar, o que facilita o transporte marítimo, além disso, conseguimos mostrar a viabilidade de nossa estratégia  de fazer a construção onshore, sob a forma de Skids modulares, onde as condições produtivas são melhores que no ambiente offshore, também aproveitamos o mercado com disponibilidade de bons profissionais para montar nossa equipe. Nesses aspectos, nossa proposta foi bem diferenciada e competitiva. Agradecemos a Petrobras por confiar na Enaval para realização do projeto. Temos orgulho em trabalhar em um projeto como este e a Radix tem sido a empresa parceira que nos ajuda a seguir nessa meta -, contou Amauri.

DESAFIOS

Por ser um projeto brownfield, isto é, trabalhar com uma planta já existente e em atividade, existe o desafio de redimensionar a tubulação em um espaço já definido. “Tivemos o prazo de 35 dias para construção, desmontagem e montagem de equipamentos e tubulações com a planta parada. Então, nosso planejamento e a antecipação de muita coisa em terra foram essenciais para cumprir o prazo e ter maior assertividade com relação ao espaço”, explicou Chachamovitz, da Radix.  

O presidente da Enaval considera a mudança das atividades offshore para onshore um fato histórico em projetos da Petrobras. “A Radix percebendo a oportunidade de otimizar o tempo na parada programada, estudou e viu arranjos que permitiu a antecipação em terra. Então, apresentamos para a Petrobras e, de forma inédita, a empresa acatou essas sugestões já com o projeto em andamento”, disse Amauri.

 PRÓXIMOS PASSOS E TENDÊNCIAS

As próximas etapas contam com a substituição da tubulação existente para suportar uma pressão maior do gás e com a validação da Radix sobre as peças fabricadas. “Por ser um projeto brownfield, não podemos ter um milímetro de erro no tamanho de uma peça. Estamos trabalhando para ter o mínimo impacto sem interferir na rotina da produção”, explicou o diretor da Radix.

Como tendência, João Chachamovitz destaca a disciplina de Construtibilidade como palavra de ordem para os próximos anos. “Esta é uma matéria que não entrava normalmente dentro de um projeto convencional de engenharia. Mas, cada vez mais está ganhando força no mercado. Na Radix, atuamos forte com multidisciplinaridade e temos funcionários com este perfil. Com a Petrobras, esta foi a primeira vez que a disciplina foi exigida em um projeto desse porte”.

Para a Enaval, a Construtibilidade tem sido uma estratégia cada vez mais usada em projetos de engenharia para antecipar os problemas que podem surgir. A empresa já trabalha com a disciplina há anos. “Com a Construtibilidade, podemos antever problemas para a correta sequencia de montagens. Este é um trabalho feito pela Radix, que tem sido muito elogiado pela Petrobras e vai ser obrigatoriedade nos projetos futuros, pois é a melhor forma de se fazer o trabalho, visualizar e antecipar problemas, se preparando para os menores riscos”, enfatizou Costanza.

Após o sucesso de Mexilhão, o presidente da Enaval espera por novas oportunidades e o surgimentos de projetos do mesmo porte. “Perspectivas de obras semelhantes no pós-sal. Estamos sendo colocados em exposição pelo projeto do Mexilhão, então, temos que aproveitar essa vitrine, que todos estão olhando nosso desempenho, para fazer o melhor possível e despertar a idealização de futuros projetos semelhantes”.

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