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Na mídia! Ageless - pessoas que transcendem a idade na firma

Revista dominical do jornal O Fluminense traz o exemplo da Radix como empresa que investe em jovens profissionais e tem casos de jovens assumindo grandes responsabilidades.

O fluminense idade na empresa radix Marcela Ximendes tem 29 anos e é gerente comercial na Radix.

Cada vez mais, as pessoas se permitem viver uma vida mais de acordo com o que sentem e menos com o que seria comum e esperável a cada faixa etária. O movimento chamado ageless se refere justamente àqueles que hoje se valem das facilidades da contemporaneidade para expressar suas personalidades, estilos e atitudes. Sem pedir licença, eles vão fundo naquilo que querem e podem, sem necessariamente transformar a passagem do tempo em um peso.

Esse movimento tem sido mapeado há pelo menos quatro anos, e é fruto da longevidade que a humanidade está atingindo, como explica a antropóloga Verônica Barros. O ageless, segundo ela, não acontece à toa, e está diretamente relacionado a uma expectativa de vida que sobe. No Brasil, por exemplo, ela era de 62 anos nos anos 1980 e, hoje, chega a 74. 

“Existe ainda o estereótipo da terceira idade, da imagem de alguém que chegou ao fim da linha e não tem mais nada nem para oferecer nem para desejar do mundo a não ser sentar em uma cadeira de balanço, ou assar um bolo para os netos. Mas a geração ‘sem idade’, como vem sendo chamada, é ativa, produtiva e até tendência em grandes empresas americanas, uma vez que agregam valor ao negócio com a sua experiência”, destaca Barros.

Quem vê tanta disposição não imagina que, durante 30 anos, o casal de empresários Marcelo e Arinete Caillaux, hoje com 71 e 70 respectivamente, foi fumante e sedentário. Até porque, hoje, eles acordam às 4h para se unir ao grupo que treina com canoa havaiana na Baía de Guanabara. A nova etapa da vida começou mais ou menos quando, aos 44 anos, a empresária começou a sentir fortes dores na lombar. Um exame revelou que ela estava com osteoporose na coluna e no fêmur. Sedentária na época, recebeu do médico recomendações para começar a prática da caminhada e da natação. 

Com os novos hábitos, ela saiu da condição de uma saúde fragilizada para uma vida de saúde e disposição, transcendendo todas as limitações comuns à sua idade biológica, chegando aos 70 como uma atleta cheia de medalhas.

“Já comecei indo caminhando da minha casa, em São Francisco, para a natação em Icaraí, todos os dias. Com o tempo, fui recuperando massa óssea e passei a ir correndo pela Estrada Fróes. Assim foram vinte e tantos anos. Até que, mais recentemente, descobri a canoa, que, além do exercício, traz outra experiência maravilhosa, que é o contato com a natureza”, defende Irinete, para quem não faltou motivação nem exemplo.

Antes mesmo dela começar a se exercitar, o marido, Marcelo, já tinha começado uma nova etapa da vida através dos esportes.

“A companhia dela se tornou uma força para eu continuar os treinos. Hoje, um motiva o outro a acordar às 5h para montar canoa”, brinca o empresário.

A impressionante disposição do casal veterano desperta admiração por onde passa. No caso de Marcelo, a boa forma se reflete de uma maneira incrível até mesmo no trabalho. Com frequência, ele entrega de bicicleta, na Zona Sul do Rio, as roupas esportivas que fabrica em Niterói.

“No clube onde treinamos, somos os mais velhos e somos reverenciados pelos colegas que vivem dizendo que querem ser como nós”, brinca o esportista sênior.

Começar em uma carreira parece coisa para os vinte e poucos anos? E se for na carreira de DJ, mais jovem ainda? Não para o ex-gerente de infraestrutura em tecnologia Julio Pinto. Na contramão da maioria das pessoas, ele saiu das rotinas das empresas para comandar pickups e sacudir a galera aos 55 anos.

“Eu era DJ na década de 70 até início de 80. Depois, me dediquei à informática. Entretanto, depois de praticamente 32 anos de tecnologia, resolvi ter qualidade de vida. Não acho que tenha idade nem hora certa para seguir uma vocação. É só uma questão de oportunidade”, afirma.

Ocupando seu espaço em um segmento até então exclusivo para um público com menos idade, o ex-gerente partiu para um encontro com sua própria essência, que, para ele, está acima de qualquer padrão etário.

“Se antes eu me dedicava ao sonhos dos outros, agora me dedico aos meus. Uma coisa é certa: nunca é tarde para sonhar”, afirma o novo DJ. 

Reviver uma etapa feliz da vida, onde os sonhos e ideais eram compartilhados com uma turma de amigos. Por que não? O grupo G80 Bodyboarding é formado por amigos da geração 80 que se reencontraram. Hoje, a idade média entre eles é de 40 a 50 anos. Entre eles, empresários, advogados, representantes comerciais, engenheiros, arquitetos, professores, servidores públicos e profissionais liberais.

“O pontapé para o reencontro foi nas redes sociais. Praticamos essa modalidade desde 1984 e, atualmente, conciliamos a nossa rotina profissional com a prática diária em encontros muitos animados, onde um motiva o outro”, explica Robson Costa. 

Com uma média de 25 participantes, o grupo passou a se reunir desde o início do ano em churrascos e competições. Itacoatiara é o ponto de encontro principal.

“Acreditamos que o contato com a natureza e a prática do esporte que amamos vai nos fazer chegar à terceira idade mais felizes e realizados”, afirma Costa.

O reencontro com sabor de juventude foi completo e teve até romance.

“O Robson e eu nos conhecemos há 32 anos, mas foi o bodyboarding que nos reaproximou, até muito, pois já estamos casados há 3 meses, fruto desses reencontros”, revela a bodyboarder e advogada Lyse Kitzinger, de 45 anos.

Nada será como antes, mas o essencial sempre permanece. Segundo Lyse, amigos ajudam a estar perto do que acreditamos e de quem realmente somos, sem rótulos e com liberdade.

“A maioria dos integrantes desse grupo eu conheci nos anos 80, alguns eu não via há quase 30 anos. Perdemos o contato ou só falava via rede social. Fisicamente, estamos muito diferentes, mas as conversas, a vontade de pegar onda e de cuidar da corpo e da mente continuam a mesma coisa. Esse reencontro nos levou de volta à nossa adolescência. Nos unimos para fazer aquilo que gostamos, que nos faz feliz, por amor pela natureza, nossa vontade de permanecer leves, coisas que não sucumbiram ao tempo, que não têm idade”, explica Kitzinger.

Mas não é só de prazer que os “sem idade” se constituem. E se para alguns a juventude se prolonga, para outros a responsabilidade vem mais cedo. O que não é necessariamente ruim, como explica a engenheira de produção da Radix Engenharia de Software, Marcela Ximendes, 29 anos e nova gerente comercial da empresa.

“Entrei na empresa como engenheira, logo no início, não tinha nem um ano. Meu crescimento até ocupar esse cargo foi acontecendo de uma forma muito natural. Aconteceu junto com o crescimento da empresa. Hoje, estou respondendo direto à diretoria”, recorda a jovem executiva.
Sem temer a responsabilidade, para ela, a ascensão profissional é consequência de uma dedicação pessoal e, no contexto atual, o mercado precisa de todo tipo de perfil profissional.

“Esse assunto de jovens ou velhos no mercado de trabalho é sempre muito delicado e divide opiniões. Sempre vai haver espaço para o bem preparado. Sem dúvida, esse cargo é uma valorização do meu trabalho, da minha dedicação. É um indício de que estou no caminho certo”, destaca Marcela.

No entanto, não dá para falar de driblar o relógio biológico sem falar de beleza. Transcender a idade para alguns é literalmente parecer jovem. Mesmo que para quem já chegou lá os valores sejam outros, prolongar uma boa aparência desperta admiração. Quem conseguiu, garante que essa é uma preocupação secundária, consequência de valores que vão além da aparência, como explica a designer de joias Gizá Basílio, de 60 anos.

“A maior conquista para mim é ter saúde para envelhecer com qualidade de vida. O resto é uma doce consequência. Procuro cuidar do corpo e da mente e ter uma vida equilibrada, sem me preocupar com a idade. No meu caso inclui alimentação equilibrada, pilates e yoga”, revela.

Considerada bonita por muitos, ela rejeita julgar qualquer coisa apenas pela aparência e ressalta um conjunto de valores que considera mais importante que um rosto firme e um corpo em forma.

“Em primeiro lugar, valorizo os valores e a conduta das pessoas, embora reconheça que a aparência seja importante. O que as pessoas admiram em mim é uma soma de fatores. A beleza também é atitude, personalidade e bom gosto. Energia e astral também fazem toda a diferença”, resume a designer.

Papéis e etapas sempre existiram para o homem civilizado, mas o que a gente vive hoje é uma consequência da longevidade e da tecnologia, que, por sua vez, atravessam toda nossa subjetividade, como explica Raquel Staerke, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa.

“Os recursos disponíveis hoje contribuem para uma mudança de percepção em relação aos papéis sociais preestabelecidos. Padrões são alterados por novos conceitos, uma vez que surgem possibilidades de viver a vida com uma melhor qualidade. Os ageless podem ser considerados pioneiros nessa quebra de paradigma e, como tudo o que é novo, pode, a princípio, provocar estranheza ou críticas”, pondera a psicóloga.

Mesmo que todas as pessoas sofram as interferências das inovações em suas vidas, segundo Staerke, é preciso identificar o que deve ser preservado no desenvolvimento de cada um.

“Uma criança não tem autonomia, ela precisa ser protegida e cuidada. No entanto, as mídias, os modelos sociais, as expectativas dos pais e as exigências por resultados desde muito cedo mudam hoje todo o padrão lúdico infantil. Adultos devem lutar pelo direito da criança de ser criança, até porque, para chegar ao pensamento sofisticado, ela precisa passar por essa fase. Ou seja, respeitar essa etapa da vida para, lá na frente, ela conseguir escolher ser o que quiser, até mesmo um desses adultos de vanguarda”, defende Raquel.

Eles são exemplos de ageless:

Talvez a melhor personificação de uma pessoa ageless no show biz  seja a cantora Madonna, não só pela boa forma que exibe aos 59 anos, mas também por uma atitude que não se limita a certos padrões etários socialmente impostos. Já a jornalista Glória Maria é outra que transcende a idade, aliás, sua idade é uma incógnita, impossível de ser descoberta pela sua aparência, e já virou até lenda urbana. De lamas de vulcões, passando pela medicina ortomolecular, ela já falou até de uma receita caseira para pele criada por Ivo Pitanguy. A roqueira Paula Toller (55) inverteu a ordem cronológica natural e foi se tornando cada vez mais bonita com o passar do tempo. Sua beleza física, assim como a sua técnica vocal, parecem ter sido lapidadas dia após dia. Como se não bastasse continuar deslumbrante aos 49 anos, a atriz Carolina Ferraz também viveu uma gravidez tranquila com essa idade. Ela também protagoniza um dos memes mais populares que já circulou no Brasil.

Entre os homens, quem diria que o cantor e ator Evandro Mesquita, 65, está na terceira idade? Só se for na certidão de nascimento, porque na atitude ele nunca deixou de ser um “menino do Rio”. E tem ainda o modelo Jorge Gelati, que nem na casa dos 50 deixa de arrancar suspiros por onde passa.
 

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